«

»

dez
18

JOGOS QUE VI: Barcelona 4 x Santos 0

Confesso que poucas coisas na minha vida fazem com que eu saia da cama as 8 da manhã em um domingo. Domingo é um dia sagrado, é o dia do futebol, é o dia de… dormir até tarde! O vestibular me tiraria da cama em um dia como esses. E fora isso… o futebol. Só o futebol é capaz de fazer com que um cidadão em sã consciência acorde as 8 DA MANHÃ em um domingo!

Hoje acordei e não me arrependi. Vi um espetacular Barcelona 4 x 0 Santos, que ficará na minha memória para sempre. Impressionante a supremacia do time Catalão, um dos melhores da história e o melhor que eu vi jogar desde que nasci. Por isso, irei tentar descrever aqui taticamente o que julgo ser a essência do futebol, todos os movimentos e fundamentos sendo executados com profunda agilidade e inteligência. Algo que me emociona demais.

Quem sabe alguma característica tática do Barça não mobilize de alguma maneira os nossos times de Pelotas, né ? Imitar é impossível, mas amadurecer seria importante.

O Barcelona começou num 3-4-3, um esquema tático que provavelmente não daria certo se não fosse composto por jogadores excepcionais. Guardiola tem usado essa formatação na temporada por causa do equilíbrio entre todos os setores, que são ocupados praticamente pelo mesmo número de jogadores. É difícil dizer que algum jogador tem “função” quando todos ficam rodando e trocando de posicionamento à todo o instante, mas um jogador em especial fica quase que sem posição fixa: Daniel Alves. Ele é um ala que sobe como um ponta-direita, atacando com total liberdade.

Destaque também para Messi. Ele volta para recompor o meio e também afunila o jogo pelo meio, ditando o ritmo do Barcelona jogar. Fábregas é um meia que joga como centroavante, então é outro jogador que não fica fixo no setor ofensivo. Cada jogador dá, no máximo, 2 toques na bola e, quando erram, todos fecham a bola para que ela não saia daquele setor. Assim, no caso de passe longo do time adversário, o zagueiro tem tempo para fazer a “falta técnica”, parar o jogo e impedir o contra-ataque. Como a maioria dos jogadores é de baixa estatura, muita agilidade e técnica, a arrancada até a bola dificulta o passe longo adversário e faz com que a estratégia de jogo dê certo.

No segundo tempo, Guardiola colocou o seu time ainda mais à frente. Mascherano entrou no lugar de Pique, mudando o esquema tático para um 4-3-3 de caixa alta. Puyol veio ser o lateral-base e Abidal seguiu subindo. Não havia um volante fixo: Xavi e Fábregas, agora jogando na sua, se dividiram entre a marcação e a armação, revezando atrás. Daniel Alves passou a jogar efetivamente como um ponteiro pela direita, com total liberdade para se movimentar pelo campo.

O exemplo é o último gol, no qual o Brasileiro deixa o lado direito, aparece nas costas do marcador pela esquerda e faz a assistência perfeita para Messi. Quem sabe esse jogo não possa fazer com que Mano Menezes abandone a ideia de usar Daniel como lateral na seleção ?

Quanto ao Santos… sinceramente, acho que Muricy não errou na sua proposta. Ele tentou fechar os espaços com a inclusão de mais um zagueiro, apostando no contra-ataque. Era o que poderia ter feito. A estratégia caiu por terra com dois erros de Durval em sequência, mas o jogo mostrou que o Santos era e é infinitamente inferior ao Barcelona, um dos melhores times de todos os tempos…

 

 

1 comentário

Nenhuma menção ainda

  1. Renan Silva disse:

    Analisando parece tão fácil, né? Que timaço!

Deixe uma resposta

Seu e-mail não será publicado.